Num compasso [descom]passado…

30 10 2008

 

As lembranças mais perenes e mais remotas, se remoem e se acumulam… Deve ser por isso que vez por outra me flagro passando por algum lugar e lembrando uma série de coisas.
E começo a crer que minha memória é seletiva [talvez não]… Mas e ontem que me flagrei tentando lembrar o nome da mãe de uma exímia amiga… Fiquei quase um dia tentando lembrar e nada.

E ontem passei por uma pizzaria e lembrei do cheiro de tucumã com queijo de uma pizza que eu ODEIO! Na verdade, odeio a aparência do tucumã, daquela gordura et al… Mas, na verdade mais que verdadeira, nunca provei a iguaria amazonense conhecida como “caboquinho” [isso! deveria ser  o diminutivo de cabLoco, que sofreu uma regionalização e o “L” foi para cucuias].

Lembrei do primeiro chopp que tomei em uma outra pizzaria. Não nego que não lembro o gosto, mas lembro da noite. A noite foi agradável, as companhias divertidas e a conta maravilhosa: lembro que não a paguei.

Lembrei de quando tive coragem de tomar banho de piscina a noite e de como meus cabelos estavam longos. Das míseras vezes que estancava o carro, também lembro da vez que estanquei em plena avenida Paraíba, quase na hora do almoço… Imagina o caos!

Lembro diariamente de como o tempo passa e de como passo pelo tempo e assim, compassamos uma cumplicidade ímpar e singular. E por mais que eu tenha aversão a esses termos matemáticos, eles são perfeitamente bem encaixados quando tem-se que transmitir algo tão único.

Ultimamente ando lembrando tanto da minha infância… Êta infanciazinha gostosa! Com direito a ralar nariz e tudo mais! Falando em ralação, ralei até a barriga, numa categória queda de bicicleta [pelo menos eu tinha 6 anos].
Também lembro da minha cara de brava em festinhas de aniversário. Eu gostava delas [e até hoje gosto], mas é que o barulho das palmas me irritavam profundamente, tal como aqueles flashes das câmeras que me cegavam [e que até hoje me cegam]. Lembro das brincadeiras de pega-pega, de estátua [hahahahaha], de esconde-esconde, de pular corda, pular elástico, jogar bola na rua [B-O-L-A! Não volêi], jogar tacoball [adorava!], tomar banho de chuva na rua ou no quintal de casa ou no quintal da vizinhança, andar de bicicleta na chuva… Enfim! Êta lembraçinhas gostosas!!! Passa um filminho da cabeça e gera até um sorriso nostálgico.

É… lembranças, não há como fugir delas. E o melhor de tudo é que a todo instante elas se renovam e fazem da vida esse emaranhado de coisa boa.

E cá entre nós: que Alzheimer não me venha, pois não quero ficar presa a elas. Mas, ‘nostalgiar-me’ vez por outra.

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La Valse

26 10 2008

Ultimamente ando sem tempo para nada, mas com todo tempo do mundo para o ócio.

É engraçado alguns termos que constantemente nos flagramos pensando e até mesmo transmitindo-os.
Afinal, existe saudade?! Ou existe a falta?! Prefiro acreditar que saudade está vinculada a algo recíproco e verdadeiramente sentido. No entanto, a falta é um desprendimento ou até mesmo um prendimento a uma ocasião, momento e/ou circunstância e claro: a alguém.

Me flagro [como qualquer outrem] com uma saudade demasiada da minha infância. Quando envelhecemos [22 ainda não é velhice, mas tudo bem], queremos a qualquer preço nossa infância de volta. E é  daí que vem a vontade de passar tudo que você aprendeu [ou não] com sua mãe, pai ou qualquer pessoa que tenha exercido um singelo papel na sua vida, para aquela pessoinha que foi surge de forma inesperada [ou não] na sua vida e é nesses momentos que vejo que o mundo ainda é um bom lugar para se viver.

Ontem, lembrei de Amélie Poulain [na verdade, constantemente lembro dela]. E acho o filme do Jean Pierre uma obra da vida. Sobretudo a cena da cafeteria, onde a Amélie feliz e nervosa vê que conseguiu cumprir o que queria: entregar aquela caixinha para aquele senhor que um dia foi uma criança feliz. Não lembro precisamente da frase, mas a idéia é: “O tempo passa e sua vida cabe dentro de uma caixinha.”
Isso chega a ser mágico, se não fosse trágico. Mas, o que acontece para finalmente cairmos em si e vermos que a vida passou e o que você fez de diferente? O que conquistou ou se realmente foi feliz ou se a falta se fundiu a saudade de algo ou alguém. Ou se o medo de sentir saudade, fez da falta um escudo?
Vez por outra, uma pergunta vem à tona: “Qual seu diferencial?!” [mas, isso é assunto para outro tópico e do jeito que posto ultimamente, capaz que vire assunto pro ano que vem. rs]

Tenho pessoas que realmente sinto saudade e falta… Outras, somente saudade e tantas somente falta. Mas, é complicado colocar cada uma numa prateleira à parte.

E constato que somos um filme repetido da vida de alguém. E esse alguém, o que sente? Saudade? Receio? Medo ou Falta?!





Ensaio sobre a [minha] cegueira

19 09 2008

Sabe… sinto saudade de mim.

Sinto saudades do tempo que como diz uma amiga, eu tinha licença poética para escrever em demasia. Para ser eu mesma em demasia. Não que eu tenha deixado de ser euzinha. Então… Mas, é como dizia [não, ele não morreu! Mas, é que há tempos não nos falamos e sinto falta disso] eu sou [ou era] um ser inconstante. Poderia [e em certos momentos, acho que ainda faço isso] rir e chorar num intervalo de 5minutos.

Mas, bem verdade, mesmo que involuntariamente uma lágrima ou outra me vem. Certa vez fui ao oftamologista [isso tem quase 3 anos] e perguntei-lhe o que diabos me acontecia, pois durante uma reunião meus olhos ficaram cheios d’água e uma lágrima escorreu e várias outras vinheram. Claro que todo mundo ficou querendo saber o que se passava e eu dizia: “- Nada, nada… nada!”.
Então… e eis que o oftamologista disse: suas glândulas lacrimais são bem funcionais. Independente de emoções ou frustrações que você passe, elas estão trabalhando a todo instante e isso é bom, pois sua pupila não fica ressecada. E quando você passa um certo tempo sem chorar, essas lágrimas ficam acumuladas e involuntariamente saem.

Sei não… Mas, achei isso bem bizarro. Mas, avaliando num contexto, achei normal.

Enfim… Sinto saudade de ter a tal licença poética, como também sinto saudade quando me vinham várias palavras soltas e descompassadas, que eu tentava arrumá-las… Também, pensava que eu via o mundo de uma forma estrábica e não enxergava o que os normais enxergavam.

É engraçado esse conceito não literal de estrabismo: pois você olha pra lá, enquanto as coisas estão aqui na sua frente. Mas, se formos analisar clinicamente, o olho estrábico é um olho cego. Logo, se este olho é incapaz de ver, suponho que imagina-se o que este “ponto cego” estaria a ver.
E é aí que vejo todo o charme desta “cegueira”: quando imagina-se o que não se vê e quando tampa-se os olhos para o que não se quer ver, o que em certos momentos me soa como preocupante.

Quando se vê disperdício de alimento, logo vem à tona as criancinhas da Somália ou África  em geral ou qualquer lugar, pois suponho eu que isso seja um instinto humano , a preocupação para com o outro [como também a cruel capacidade do ser humano, de ser oportunista e afins]. Mas, e se de repente alguém retruca: “-E se eu comer, essas crianças deixarão de passar fome?!”[Sim, isso realmente aconteceu]. E eis que um silêncio paira no ar.

E ponho a pensar o por quê que existe a alta dos alimentos, afinal se o fulano comer, as criancinhas que estão passando fome, não terão sua fome saciada. Mas, que todo e qualquer desperdício que exista, alimenta a tal de “oferta e demanda”. Logo, se há muita demanda e a oferta é pouca, há a alta dos preços.

Me parte o coração [e me dói o bolso] saber que no Brasil, carros podem [e são] mais caros que casas. E nem estou falando de casas populares [que em média custam 54mil reais]. Não nego que sou apaixonada por um modelito estrangeiro – Mini-cooper*- que está previsto para chegar aqui em 2009 e vai custar nada mais, nada menos que 180mil reais.

Me dói saber que há políticos que se fazem sob o projeto do ENEM e seus benefícios para com a população. Enquanto que de 5 alfabetizados, apenas 1 sabe realmente ler, escrever e entender [realmente] o que lê. E o pior de tudo isso é saber um acadêmico pode ser jubilado, pois seu prazo de conclusão venceu [na maioria das universidades federais/estaduais, o prazo é o dobro da duração normal do curso] e ele recorre e ganha mais tempo pra enrolar o Governo/Estado, que em média gasta R$800,00 por acadêmico matriculado e cursado. E saber que depois de todo esse gasto no ensino público, ainda sobra dinheiro para recompensar o ensino precário num todo, sobretudo no ensino médio que não prepara o bastante os alunos para que assim consigam regressar num ensino superior  público, que apesar dos pesares ainda, consegue se sobrepor do ensino superior privado. Enfim, não gosto de política. Mas, têm coisas que realmente me revolta.

Enfim… Sinceramente, gostaria de ser cega, muda e surda. [acho que é mentira…rs]





Fatos

15 09 2008

Sinto uma preguiça em demasia, que me consome a vontade de escrever umas míseras linhas.

E bem verdade acho que toda  faculdade deveria começar no 4 período, pois ao que parece todo o gás é totalmente disponibilizado para aquelas matérias chatas que no início e até o fim do curso, você se pergunta: por que raios, tenho que pagar essa matéria? Não me serve de nada essa porcaria [claro que você toma todo e qualquer cuidado para que o docente da dita-cuja não venha lhe ouvir e mais claro ainda é que você fala isso na cara dele, quando já foi aprovada].

Enfim, quando finalmente aparecem as matérias técnicas e de fato [bem interessantes e reprovantes*] a paciência e o saco já foram dessa para melhor. E funde-se tudo a uma aula de duas horas de duração [sem intervalo, uma espécie de “cachorro amarrado e pau comendo”-comendo o meu cérebro, claro!], com três páginas de cálculo [Experimentação agrícola].

E quando eu acho que já me livrei da biologia, eis que aparece “Fisiologia Vegetal”. Corta a beterraba aqui, põe água, põe sacarose, põe álcool… Descreva a plasmólise, descreve a desplamólise… [Haja saco e de preferência do Papai Noel].

Física e Classificação do Solo, o docente por si só é um sócia do Osama Bin Laden [não aparentemente falando, mas terroristamente* falando]. Nem adianta querer impressioná-lo quando ele vem perguntar conceitos, pois sempre ele falará: “INCORRETO”. Sim, isso é bem desanimador. Mas, não nego que é a disciplina e a área [Solos] que mais me agrada.

Entomologia Agrícola: deveras impressionante como algo pode ser tão chato. O professor é novinho, legal, um doce. E a minha cara de pau, já veio à tona para dizer-lhe: “Desculpe-me a sinceridade… não é nada pessoal, mas isso [a matéria e até mesmo a disciplina] é chato bagarai!!!”. Ele com uma risada meio válvula de escape: hehehehe [sempre achei que esse “hehehe” é uma espécie de “socorro! me tira daqui” ou “vou rir, para que você não se sinta mal”].

Genética e Melhoramento: Quem disse que seria agora que eu iria me livrar de biologia? [Doce ilusão]. Azinho com Azão… Azinho com bezinho e depois Azinho com bezão e por ai vai. Oooww coisinha chata!

Microbiologia agrícola : é a que ATÉ AGORA agora mais me diverte: colônia de fungos, meio de cultura, isolamento de patógenos… essas coisas 😀

Enfim, entre gregos e troianos, espero que todos se salvem [inclusive eu!]

 

*neologismos

 

P.S: Para uma preguiça que me consumia, até que fluiu esse tópico.





Araucariaceae

6 07 2008

A Carnaubeira (Copernicia cerifera, (Arruda Câmara) Mart.) é uma palmeira elegante de até 10 a 12 metros de altura, espontânea em grandes florestas puras nas margens de alguns rios nordestinos, como o Jaguaribe, o Açu, o Acaraú, o Curu, o Apodi e o Potengi, e em alguns trechos do litoral. Ferdinand Denis chamou-a árvore da vida, tão numerosas e importantes suas finalidades. A cera é o seu produto mais importante. Aqui, porém, só nos interessa pelos seus frutos – a carnaúba. Trata-se de “uma baga arredondada de 2cm de comprimento, glabra, luzidia, esverdeada, passando a roxo-escura ou quase negra na maturação, de epicarpo escassamente carnoso, envolvendo um carroço duríssimo, provido de albume branco, duro, oleoso. As bagas aglomeram-se às centenas, em grandes cachos”.

É glicose o açúcar existente na polpa da carnaúba. O óleo, esverdinhado e com consistência do sebo, funde a 38oC.

Os gados, principalmente os suínos e bovinos, comem com prazer as carnaúbas verdes, maduras ou secas. Madura, a carnaúba é adocicada, pouco saborosa, mas mesmo assim tem apreciadores. Vendem-nas nas feiras.

 

 

GOMES, Raimundo P. Fruticultura Brasileira. 13a. ed, São Paulo: Nobel.





Ré, primeira, segunda, terceira, quarta e quinta…

2 06 2008

Uns odores estranhos, mas no entanto peculiares.

A noite anda boa, mas nao o bastante para que a manha seguinte me soe como acolhedora.

Ela olha para o canto de uma parede e lá está um violao, numa capa marrom desbotada e com o zíper sem funcionalidade. Fica olhando-se num espelho auto-crítico e auto-destrutivo, as lembranças sempre sao fomentadas e as memórias sempre deixam um resquício de melancolia  e um gosto amargo-doce-salgado.
Talvez seja pelo fato que o doce só é tao doce, por que existe o amargo… E o salgado só é salgado por quê existe o doce e o amargo… Mas, e o amargo, por quê é tao perene assim? Ou seria essa confusao de sabores mais perene que minhas papilas gustativas conseguem distinguir.

Veja você uma situaçao já vivenciada e com protagonistas diferentes, onde os caminhos sao os mesmos… Mas, as portas a serem abertas levam para caminhos [des]conhecidos.
Ela diz e concretiza pensamentos que [re]soam em ondas numa só frequencia: vivemos num mantra, tal como virar de um lado para o outro da cama, abrir os olhos, olhar no relógio, puxar o lençol e voltar a dormir. Mas, ficar sentada numa só posiçao deixa a perna “dormente”, mesmo estando com os olhos bem abertos a ponto de estar escrevendo frases descontinuadas e sem muito sentido, mas enfim… acho que ela está recomeçando.

 

 

p.s: favor considerar o teclado dela, que encontra-se desconfigurado ou meramente despreocupado com as regras de acentuaçao portuguêsa-brasileira.





As mãos…

3 05 2008

De todas as coisas que tive, as que mais me valeram, das que mais sinto falta, são as coisas que não se pode tocar.

 

São as coisas que não estão ao alcance das nossas mãos, são as coisas que não fazem parte do mundo da matéria.

 

 

[O Cheiro do Ralo]

 

[Sem  inspiração para criar, apenas assim: difundir o criado.]